O silêncio do escritório às dez da noite era uma melodia perigosa, e Sofia sentia cada nota vibrar em sua pele. As luzes da cidade cintilavam através da enorme janela, espelhando a turbulência silenciosa dentro dela. Ela digitava, mas seus olhos azuis claros de vez em quando se desviavam para a porta do escritório ao lado, onde a luz ainda estava acesa. Ricardo, seu chefe, ainda estava lá. E a cada segundo que passava sozinha com ele no vasto edifício, a eletricidade entre eles parecia palpável, quase predatória.
Ricardo era o tipo de homem que comandava uma sala sem dizer uma palavra – alto, imponente, com um olhar penetrante que via através de qualquer pretensão. Ele era brilhante, exigente e, para desespero de Sofia, incrivelmente atraente. Desde que começara a trabalhar como sua assistente executiva, ela vinha lutando contra uma atração que crescia a cada reunião, cada troca de olhares. Sofia sabia que o que sentia era perigoso, a antítese de todo profissionalismo, mas era inegável. A ideia de um *boss and employee love affair* parecia clichê nos filmes, mas agora era uma realidade pulsante em seu peito.
Uma voz grave quebrou o transe. “Ainda por aqui, Sofia? Pensei que já tivesse ido.” Ricardo estava encostado na moldura da porta, com a gravata afrouxada e as mangas da camisa arregaçadas, revelando antebraços fortes. O cheiro de seu perfume amadeirado preencheu o ar.
Sofia sentiu um calor subir ao rosto. “Só terminando o relatório de vendas, Ricardo. É urgente para amanhã.”
Ele deu um passo para dentro, os olhos escuros fixos nela. “Deixe-me ver. Talvez eu possa agilizar isso.” Ele parou ao lado dela, e o calor de sua presença era quase insuportável. Seus dedos roçaram os dela enquanto ele apontava algo na tela, um toque breve, mas que enviou um arrepio pela espinha de Sofia. Ela ergueu o olhar e encontrou o dele, uma mistura de intensidade e algo mais, algo proibido.
“É perfeito, Sofia,” ele sussurrou, a voz rouca, os olhos ainda presos nos dela. A desculpa do trabalho se desvaneceu. Não havia mais números ou relatórios, apenas a gravidade crescente entre eles. “Você é incrivelmente talentosa.”
O elogio fez o coração de Sofia disparar. “Obrigada, Ricardo,” ela conseguiu dizer, a voz mal audível. O silêncio que se seguiu foi preenchido com a respiração de ambos, o batimento de seus corações ecoando no espaço vazio.
Ricardo estendeu a mão lentamente, e Sofia pensou que ele ia tocar seu rosto. Em vez disso, seus dedos roçaram a mecha de cabelo que caíra sobre o ombro dela, afastando-a com uma delicadeza surpreendente. “Eu… eu não deveria fazer isso,” ele confessou, os olhos cheios de uma vulnerabilidade que ela nunca vira antes. “Sei que isso é loucura, Sofia. Um *boss and employee love affair* tem um milhão de complicações. Mas… não consigo ignorar o que sinto.”
As palavras de Ricardo foram um bálsamo e uma tormenta. Sofia não conseguia falar, apenas assentiu, seus próprios olhos marejados de emoção. Ela se levantou da cadeira, ficando a apenas alguns centímetros dele. A atração era um ímã poderoso, inegável.
“Eu também não consigo, Ricardo,” ela respondeu, sua voz um sussurro frágil.
Então, ele inclinou-se. Seus lábios encontraram os dela em um beijo que foi ao mesmo tempo gentil e urgente, uma explosão de emoções reprimidas. Era um beijo de descoberta, de perigo e de promessa. As mãos de Ricardo envolveram sua cintura, puxando-a para mais perto até que não houvesse espaço entre eles, e as de Sofia se perderam em seus cabelos, aprofundando o beijo. O mundo exterior desapareceu, restando apenas o calor de seus corpos, a doçura de seus lábios e a paixão que finalmente explodira.
Quando se separaram, ofegantes, os olhos de Ricardo estavam cheios de uma nova luz, uma mistura de arrependimento e desejo incontrolável. “O que fizemos, Sofia?”
Ela sorriu levemente, um sorriso que continha todo o seu amor e sua audácia. “Começamos algo, Ricardo.”
Eles sabiam que as regras seriam quebradas, que a discrição seria crucial, mas naquele abraço apertado, o início de seu *boss and employee love affair* parecia a única verdade possível. O silêncio do escritório às dez da noite nunca mais seria apenas um silêncio. Seria a testemunha de seu segredo, do seu amor florescendo contra todas as probabilidades.
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